Músicos do período barroco

Atapoã Feliz

Ontem assisti no You Tube A Paixão Segundo São Mateus, oratório de Johann Sebastian Bach , com a duração de 2 horas e 43 minutos, e regência do belga Philipp Herreweghe. Este maestro, de 68 anos, tornou-se mundialmente conhecido principalmente como regente das obras de Bach. Fato bastante interessante é que alguns músicos usaram instrumentos da época barroca. Fiquei admirado com a vitalidade do maestro, por ficar de pé regendo a orquestra por quase 3 horas! Confesso que, às vésperas de completar 71 anos, assisti a obra-prima deitado…

Na monumental obra “História da Música Ocidental”, Donald J. Grout e Claude V.Palisca registram que raramente utilizam o termo barroco para designação de um estilo, pois esse período (1600 a 1750)”abarcou uma diversidade de estilos demasiado grande para poder ser englobado num único termo.” Mais adiante, após advertirem que os termos genéricos “barroco”, “gótico” e “romântico” são susceptíveis de gerar alguns equívocos, rematam: “Assim, ‘barroco’ que tem origem na designação que em português se dava às pérolas de forma irregular, foi durante muito tempo usado no sentido pejorativo de ‘anormal’, ‘bizarro’, ‘exagerado’, ‘de mau gosto’ ‘grotesco’; o termo ainda hoje é assim definido nos dicionários e evoca para muita gente, pelo menos, uma parte destas conotações. E, todavia, a música escrita entre 1600 e 1750 não é, no seu conjunto, mais anormal, fantástica ou grotesca do que a de qualquer outro período.” (Editora Gradiva, ed.2007, p.308).

Hoje, com imagens captadas do Google, apresento a galeria de músicos do período barroco, na ordem cronológica de seus nascimentos. A ausência de alguns compositores da época se deve à falta de material. Registro, ainda, que por equívoco, o nome de Johann Joaquim Quantz foi digitado com “n”.
Para um estudo bem mais aprofundado, recomendo a obra acima citada.
Quanto à trilha musical, composta com exclusividade para o blog, fizemos um pequeno ensaio com o auxílio do formidável teclado Tyros 5 da Yamaha.

Étoiles

Atapoã Feliz

Quem sempre morou nas grandes cidades muito iluminadas, poluídas, e nunca viajou para o interior, não perde tempo em olhar para cima, mesmo porque não dá para ver nada!

Quando era jovem e morava na roça, lembro-me que contemplava, por horas, aquela imensidão de beleza indescritível: A Abóbada Celeste.

É verdade que não se pode descrever isso com palavras.

A poetisa Anne Caroline, bem observa:

“É estranho olhar as estrelas e
não poder tocá-las…
É triste ver a lua e não poder
expressar o que sentimos…
Usar palavras para expressar
um sentimento é muita ousadia,
sabendo-se que sentimento não
se diz… Se sente.
Sabe-se que não é o coração que
guarda os sentimentos, mas sim a
alma…”

Recentemente, inspirado nas imagens que trago hoje, captadas do Google, fiz “Étoiles”. Surpresa! Podemos descrever por meio da música, o que sentimos quando contemplamos um céu generosamente estrelado.

Registro o crédito do fotógrafo Vítor Fernandes que retratou, numa tomada,  o céu do Parque Estadual do Ibitipoca , localizado no município de Lima Duarte, no estado de Minas Gerais,

Para encerrar, deixo aqui as palavras de Bob Marley:

“Uma das coisas mais belas da vida é olhar para o céu, contemplar uma estrela e imaginar que muito distante existe alguém olhando para o mesmo céu, contemplando a mesma estrela e murmurando baixinho: ‘Que Saudade’.”

Sapateado do Verdão

Atapoã Feliz

Eu não me lembro desde quando sou palmeirense. Parece algo inato.

Segundo consta, “Nenhum clube brasileiro colecionou tantas glórias e ostenta uma história tão vitoriosa quanto o Palmeiras. Tais conquistas, desde estaduais a internacionais, renderam ao Verdão, fundado em 1914, a alcunha de “Campeão do Século 20″, conforme ranking elaborado por órgãos de imprensa e instituições de respeito, como a Federação Paulista de Futebol, o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e a Revista Placar.”

De acordo, ainda, com os arquivos do Departamento de História da Sociedade Esportiva Palmeiras, “Entre as épocas mais vencedoras da equipe estão as duas Academias (uma na década de 60 e outra nos anos 70) e a chamada Era Parmalat (na década de 90). Maior detentor de títulos nacionais (oito Brasileiros, duas Copas do Brasil e uma Copa dos Campeões), o Palmeiras foi também o primeiro campeão mundial interclubes da história do futebol, ao conquistar, em 1951, a Copa Rio, quando, inclusive, completou as Cinco Coroas – cinco troféus seguidos em um período de um ano: duas Taças Cidade de São Paulo, um Paulista, um Rio-São Paulo e a própria Copa Rio.”(www.palmeiras.com.br).

Além disso, jamais haverá, em tempo algum, uma dupla de meio de campo tão célebre quanto Dudu & Ademir da Guia. Dentre seus torcedores mais ilustres destaca-se o ídolo Roberto Carlos.

Como se sabe a razão de ser deste blog é a Música, mas eu não poderia deixar de homenagear o Palmeiras que, após sofrer agruras que não cabe aqui comentar, ressurge soberbo com toda a sua pujança. Por isso hoje é imitado por muitos. A propósito, já se disse que a imitação é uma lisonja qualificada.

Perguntava-me que estilo deveria usar na música que iria compor. Lembrei-me, então, que para demonstração de regozijo nada mais indicado do que o sapateado. Segundo os entendidos o sapateado é “uma dança de palco, em que padrões rítmicos são marcados batendo-se no assoalho com os dedos dos pés e os calcanhares, os pés devidamente calçados com sapatos dotados de placas metálicas (ou ‘taps’, daí o nome inglês ‘tap dance’).” (Dicionário Grove de Música, Jorge Zahar Editor).

Com o teclado Yamaha PSR-S910 surgiu “Sapateado do Verdão”, em homenagem ao grande campeão de todos os tempos.

As ilustrações vêm assinadas pelo talentoso artista Alexandre Leoni, que idealizou o periquito sapateando no seu palco predileto: O Allianz Parque.

O vídeo foi editado por Daniella Fernanda.

As Sequóias

Atapoã Feliz

De vez em quando ouvia alguém dizer que as sequóias eram árvores gigantescas, algumas milenares. A partir daí comecei a admirá-las. Pensava, inclusive, quantas histórias elas poderiam contar se pudessem falar. Com isso surgiu a ideia de compor uma sonata em sua homenagem.
Com o advento da Internet, pude constatar a grandiosidade e magnitude das sequóias. Fiquei sabendo que a mais alta do mundo é a “Hyperion”, com 115 metros de altura, localizada no Parque National Redwood, ao norte de São Francisco na Califórnia, e que a mais antiga e volumosa é a árvore “General Sherman” com 84 metros de altura, 7,7 metros de diâmetro e 2.700 anos de idade, que se encontra também na Califórnia.
Evidentemente isso é apenas exemplificativo, porquanto pode haver uma ou outra maior e mais antiga.
Há pessoas que plantam árvores e há outras que as cortam. Segundo um provérbio árabe, a árvore quando está sendo cortada observa, com tristeza, que o cabo do machado é de madeira. Já Tom Jobim dizia que “Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz.”
Para encerrar esta parte, antes de cortar uma árvore pense o quanto ela é dadivosa e que não prova a doçura dos próprios frutos nem se delicia com a própria sombra…
A composição “As Sequóias” foi gravada na primavera de 2007 pela Orquestra de Câmara Arte em Música, com os seguintes integrantes: Carmen Sylvia Tomasini Pernambuco Pessini – Piano e Arranjo; Edgar Piacentini – 1º Violino; Aramis A. Rocha – 2º Violino; Lara Ziggiatti Monteiro – Violoncello; José Eduardo D’Almeida – Viola; André Cardoso – Contrabaixo. Participação Especial: Anderson Eduardo Oliveira Bicudo – Trompete; João Carlos Goehring – Oboé, e Joel Dionísio de Carvalho – Trompa.
A edição do vídeo ficou a cargo de Mário Souza Fernandes.

Casa de Sapo

 

Atapoã Feliz

Não sei o porquê de o cogumelo ser conhecido também por “casa de sapo”. Às vezes fico pensando: será que é porque esse fungo geralmente é venenoso e as mães dizem isso para os filhos se afastarem?

Quando eu morava na roça via muito desses cogumelos, mas nem chegava perto…

Em 2008 a Orquestra de Câmara Arte em Música gravou o CD “Ciranda – Suíte Op.2”de nossa autoria,  com 11 faixas: Caixinha de música, Bicho de pau, Passa-anel, O Escaravelho dourado, Saci-pererê, A Joaninha e o besouro, Motivos (balança caixão, banho no rio e cabra cega), O Menino Azul e a flauta, Pica-pau comportado, Lápis-lazúli e Casa de Sapo.

Como se vê, a trilha musical “Casa de Sapo”, que ora apresentamos, faz parte dessa suíte que é uma reminiscência da nossa infância quando morávamos na zona rural, e representa toda a magia de um verdadeiro conto de fadas…

Quem olha a capa do CD pensa que se trata apenas de música para crianças. Na verdade é para crianças e adultos. Cuida-se de trilhas musicais instrumentais gravadas por um sexteto altamente qualificado, formado por Carmen Sylvia Tomasini Pernambuco Pessini – Piano e Arranjos; Edgar Piacentini – Primeiro Violino; Aramis A.Rocha – Segundo Violino; José Eduado D’Almeida – Viola; Lara Ziggiatti Monteiro – Violoncello, e Alexandro de Oliveira – Contrabaixo, com a participação especial  de João Batista de Lira – Flauta/flautim; Roberto César Pires – Clarinete; Francisco José Amstalden – Fagote; Joel Dionísio de Carvalho – Trompa, e Ewerton Tomasini Pernambuco – Musette.

A edição do vídeo vem assinada por Daniella Fernanda.

Sakura

Atapoã Feliz

É primavera no Japão.

Nesta época é comum você encontrar lá, em profusão, canteiros de flores de diversos matizes, visto que os japoneses, logo após o inverno, cultivam os bulbos e sementes de flores para que floresçam na primavera.

“Hanami é costume tradicional japonês de contemplar a beleza das flores, sendo que ‘flor’ neste caso quase sempre significa a flor Sakura (Flor da Cerejeira) ou Flor do Umê (Flor da Ameixa). Do fim de março ao começo de maio, o sakura floresce por todo o Japão, e por volta de primeiro de fevereiro na ilha de Okinawa. A previsão de florescimento (sakurazensen florescimento do sakura) é anunciada todo ano pela agência Meteorológica do Japão e é observada cuidadosamente por aqueles que planejam fazer o hanami, visto que ela floresce por apenas uma ou duas semanas. No Japão moderno, o hanami consiste basicamente de realizar festas ao ar livre embaixo do sakura durante o dia ou a noite. ..”

(Fonte: http://touralljapan.blogspot.com.br/2013/04/primavera-no-japao.html )

Segundo consta, Abril, também, é quando os que se formaram recentemente saem em busca de trabalho. Começa o ano letivo e fiscal do País.

Enfim, após um inverno rigoroso, é tempo de passeios ao ar livre para se deleitar com a beleza  inenarrável do desabrochar das flores.

Conheça o Japão. Ele está mais risonho agora!

O Último Sorriso

Emílio Feliz

Era o ano de 1975, mês de agosto. Num quarto simples, numa cama também muito simples de um hospital de São Paulo, estava deitada uma senhora enferma. De repente, entra um jovem bem apessoado. Ele chegou atrasado para visitar a mãe; era o primogênito de oito filhos homens. Estava meio apreensivo, pois se preocupava com o estado dela. Olhou rapidamente para os irmãos, cumprimentou-os com leve aceno de cabeça e se dirigiu ao leito. Sabia que não tinha sido um filho bem presente em sua vida, mas tinha conhecimento da doença que a afligia e que o caso era grave. Foi visitá-la com intuito de levar algum lenitivo àquela alma que ora sofria com uma doença terminal. Chegou próximo à mãe e quando vislumbrou seu semblante sofrido, um sorriso iluminou o rosto dela. Mas não foi um sorriso qualquer, daqueles que damos após ouvir uma piada. Fora um sorriso tranquilizador, leve, ameno, gracioso. Não de uma mulher que estava com dores, mas de uma mãe que se alegra com a presença do filho que pouco via. Saiu do quarto confortado. Poucos dias depois ela veio a falecer.

Hoje, pensando no episódio, ele imagina o quanto ela deve ter se esforçado para não trazer mais um sofrimento a ele.

Fiquei sabendo recentemente dessa história. E quem a contou foi justamente o seu protagonista, o compositor de “Flores no quintal”, trilha musical do vídeo, que o blog apresenta hoje, feita em homenagem a nossa mãe que todos os dias regava as plantinhas e cuidava com todo carinho de um pequeno jardim lá de casa.

Atapoã me confidenciou: – Nunca mais esqueci aquele último sorriso da mamãe…

É chegado o Outono

Atapoã Feliz

Diversamente do que muita gente pensa, o Outono não está associado ao ocaso ou decadência da vida, ao crepúsculo, à tristeza ou ao preparo para o traspasse. Aos que chegaram nesse estádio da vida é tempo, isso sim, de amadurecimento, de reflexão, e de cada um perguntar a si próprio que legado está deixando para a Humanidade. É uma grande oportunidade para rever conceitos ou descortinar novos horizontes …

Por falar nisso, é muito oportuna a transcrição de uma passagem de autoria de Juliana Garcia, escritora e Master Coach, extraída do artigo “Outono: Tempo de Perdas e Ganhos”:

“No outono, é importante questionar se o medo e a dúvida estão impedindo seus ideais maiores de serem realizados. Reflita se alguns comportamentos repetitivos lhe afastam do seu real potencial criativo. Talvez seja chegado o momento de tomar consciência e assumir uma atitude de compromisso consigo, desapegando-se daquilo que não lhe serve mais, daquilo que esteja impedindo seus passos rumo às próximas estações de seu crescimento.” (www.julianaggarcia.com.br)

O blog recomenda a leitura de todo o texto, por sinal muito bem escrito.

Como se sabe, este espaço está reservado à Música. Considerando que estamos a falar sobre o Outono, vem logo a ideia cômoda de ilustrar o artigo com o terceiro concerto de “As quatro estações” de Vivaldi, o “Padre Ruivo”, escrito na tonalidade de Fá maior, Op.8, nº 3. A propósito, dos quatro concertos, gosto mais, justamente, de “O Outono”.

No entanto peço licença para continuar apresentando aqui as composições assinadas por mim, como vem sendo feito desde a primeira postagem.

Obviamente a trilha musical de hoje tem por título “Folhas Secas”, gravada pela Orquestra de Câmara Arte em Música com os seguintes integrantes: Carmen Sylvia Tomasini Pernambuco Pessini – Piano e arranjos; Edgar Piacentini – Primeiro Violino; Aramis A.Rocha – Segundo Violino; Lara Ziggiatti Monteiro – Violoncello; José Eduardo D’Almeida – Viola, e André Cardoso – Contrabaixo.

A edição do vídeo ficou a cargo de Daniella Fernanda.

A Música no Cinema

Atapoã Feliz

Depois que comecei a compor, surgia-me sempre a ideia de fazer uma música para o Cinema. Porém era sempre desmotivado por palpites infelizes.
Mas, hoje, li uma passagem do extraordinário livro do professor Eugênio Matos, mestre em composição para o cinema, que me renovou a esperança:
“As barreiras que surgem em todo início devem ser encaradas com coragem, determinação e muita perseverança. Quem não desiste poderá, em breve, olhar ao redor e constatar:
‘É…agora faço parte deste mundo!’“. (“A Arte de Compor Música Para o Cinema”, Senac, 2014, p.235).
Dentre vários temas importantíssimos para compositores, cineastas, estudantes de audiovisual, amantes da Música e do Cinema, tais como “O que pode e o que não pode fazer a música no cinema? Que talentos e conhecimentos são necessários para o sucesso do compositor para filmes? Como ingressar no concorrido e promissor mundo da criação musical para audiovisuais? E tantos outros assuntos instigantes, o livro traz uma compreensão convincente da interação entre música e imagem.
Este blog recomenda.
Segundo os historiadores, na época do cinema mudo, a indústria do ramo, para fugir de falência iminente, deveria com urgência dar um jeito de colocar sons nos filmes, lembrando-se que a “trilha sonora” é um conjunto que compreende a música, os diálogos e os diversos efeitos sonoros.
Ao que parece, após várias tentativas para superar problemas de sincronização, amplificação, etc., a Warner Brothers lançou, em 1927, o filme “The Jazz Singer”, com Al Jolson, Direção de Alan Crosland, Roteiro de Alfred A. Cohn, Música de Louis Silvers. Nascia, assim, o primeiro filme com falas e canto sincronizado, embora parcialmente. Em 1928, também da Warner, foi lançado “The Lights Of New York”, estrelado por Helene Costello, Cullen Landis e Eugene Pallette. Direção de Bryan Foy, Música de Louis Silvers. Esse filme se tornaria o primeiro com som totalmente sincronizado.
Enquanto estou com apenas 70 anos e a Eternidade pela frente, e compor para o cinema não passa ainda de tão somente um ideal, satisfaço-me, por ora, em apresentar um vídeo, com a música “Glamour”, composta exclusivamente para o blog, ”estrelado” por Fred Astaire e Ginger Rogers, o casal mais popular do cinema musical, como um faz de conta de que já estou no mercado…

Música & Músicos

Atapoã Feliz

Por incrível que possa parecer, uma equipe de cientistas descobriu que há pessoas que não sentem prazer ao ouvir música. Isso quer dizer que ficam impassíveis tanto diante da música clássica quanto da popular, apesar de o seu cérebro ser perfeitamente capaz de processar os sons musicais. Segundo artigo publicado na revista científica Current Biology ,de 06.03.2014, tais pessoas seriam portadoras de “Anedonia Musical Específica”. Contudo, segundo esses estudiosos, tal incapacidade não se trata de doença, visto que essas pessoas sentem prazer em outras atividades.

Com o devido respeito aos cientistas, penso que o caso deve ser mais bem analisado…

Aliás, em 1940, Dorival Caymmi compôs o “Samba da Minha Terra”, e a certa altura cantava:

“Quem não gosta de samba bom sujeito não é

É ruim da cabeça ou doente do pé.”

Já William Shakespeare é mais contundente: “O homem que não tem música em si, nem se emociona com a harmonia dos doces sons é feito para as traições, os estratagemas e as rapinas; a alma dele tem movimentos silenciosos como a noite e as afeições tenebrosas como o Erebo. Não te fies jamais em semelhante homem!…Escutemos a música.” (O mercador de Veneza, em Shakespeare: Comédias e sonetos – Apud O Triunfo da Música, de Tim Blanning, Companhia das Letras, 2011, p.23/24).

Para encerrar esta parte, devemos registrar que temos respeito a todas as pessoas e seus dramas e lamentamos profundamente a sua incapacidade de entrar em sintonia com o poder do som e o sentido da Música.

Hoje quero homenagear dois grandes amigos de longa data: a pianista e arranjadora Carmen Sylvia Tomasini Pernambuco Pessini  e o violinista Edgar Piacentini, músicos por excelência, pois fizeram da Música objeto da mais alta aspiração.

Há quase dez anos, esses dois, juntamente com Lara Ziggiatti (violoncello), Aramis Rocha (violino), José Eduardo D’Almeida (viola) e Alexandro de Oliveira (contrabaixo), gravaram, de nossa autoria, a Suíte “O Zodíaco”, da qual destaco hoje “Sagitário”, que no entender do Edgar “mostra tendências da música barroca executada nas cortes e palácios…”

Eis, portanto, o vídeo.