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O que há por trás da máscara?

 

Atapoã Feliz

Antes de sair de casa, você abre a porta do “depósito de máscaras” e escolhe a do protagonista, que será usada durante todo o dia. No entanto, e na medida das necessidades, numa incrível metamorfose ela se multiplicará em variados coadjuvantes. Eis, em síntese, a tragicomédia da vida humana.
Hoje, para fazer o vídeo, escolhi imagens do Carnaval de Veneza, que existem em profusão no Google, apesar da advertência segundo a qual pode haver direitos autorais, etc. Assim, se alguém se sentir prejudicado, por favor, entre em contato que a imagem será retirada.
Com arranjos do teclado Tyros5 da Yamaha, a música faz parte do CD “O Resgate de Euterpe”, gravado neste ano. Evidentemente foi feita em homenagem a Tália, “a festiva”, musa da poesia ligeira e da comédia, é representada segurando u’a máscara cômica.
Encerro com o pensamento de Oscar Wilde: Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas, por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não tem máscara.

O Resgate de Euterpe

Há muito tempo Euterpe, a musa da música, morava no Monte Parnaso com suas irmãs Calíope, Érato, Clio, Melpômene, Polímnia, Terpsícore, Tália e Urânia, todas lideradas por Apolo, inventor da lira, protetor das artes, deus da harmonia e da inspiração poética. São inenarráveis os episódios de alegria e contentamento das musas, cada uma com a sua atividade:
1 – Calíope, a mais eminente das musas, preside a eloquência e a poesia épica;
2 – Érato cuida da poesia lírica;
3 – Clio, musa da História e inventora da cítara;
4 – Melpômene, a cantora;
5 – Polímnia, inspiradora dos hinos sagrados;
6 – Terpsícore, musa da dança;
7 – Tália, musa da poesia ligeira e da comédia;
8 – Urânia preside a astronomia e as ciências exatas;
9 – Euterpe, musa da música e inventora do aulo e outros instrumentos de sopro.
Aproveitando-se da ausência de Apolo, um bando de marginais invadiu a residência das musas. E aquele lugar, outrora palco de venturosos acontecimentos, transformara-se em horrendo cativeiro. Um dos delinquentes arrebatou a flauta de Euterpe e, curioso, começou a tirar um som degenerado do delicado instrumento musical. Os demais fizeram um círculo em volta do novo “artista”, o que mais o incentivou a tocar desbragadamente naquele sarau improvisado…
Atena, também chamada Palas Atena – similar à Minerva dos romanos-, uma das doze divindades gregas, deusa guerreira e também deusa da Razão e da Sabedoria; protetora das artes e das cidades pressentira o drama sofrido pelas musas e, como um corisco, rasgou a escuridão da noite, materializando-se no meio daquele círculo. Os malfeitores saíram em desabalada carreira e, com os olhos esgazeados, tomaram rumo ignorado…
E tudo voltou ao normal. Nunca mais se ouviu aquele som horrível…

*Concepção do compositor.

Clássico Palestrino

 

Atapoã Feliz

Nesta quarta-feira (26) “Para Tudo!” Como diz o jornalista João Guilherme, apresentador da Fox do Brasil. É que, mais uma vez, se defrontarão Cruzeiro e Palmeiras no decisivo e renhido clás-  sico Palestrino!

Segundo os historiadores, o nome deste clássico tem origem nas antigas equipes homônimas de Società Sportiva Palestra Italia (de Minas Gerais) e Società Sportiva Palestra Italia (de São Paulo), ou seja, Cruzeiro Esporte Clube e Sociedade Esportiva Palmeiras, respectivamente.

Como se sabe, para classificar-se, o Palmeiras necessita de uma diferença de 2 gols no placar. Ou então, de um gol a mais para disputar nos pênaltis. Segundo, ainda, a enciclopédia ambu-    lante PVC  a vitória do Palmeiras por 4 a 2 na primeira partida da história do confronto entre      as duas equipes, disputada no Estádio do Barro Preto em 18 de maio de 1930, valeu a con –        quista do Troféu Lineu Prestes.

Para ilustrar, seguem abaixo as animações das mascotes com as músicas Foxtrot do Cruzeiro  e Sapateado do Verdão.

 

Doce Primavera

 Atapoã Feliz

Na primavera do ano passado resolvi fazer uma caminhada. De repente, a brisa morna que batia no meu rosto trouxe aquele perfume suave e agradabilíssimo. Olhei em todas as direções tentando encontrar a fonte daquela fragrância inspiradora. Um pouco mais adiante, acerquei-me de uma pequena árvore carregada de cachos dourados. Que quadro maravilhoso! Isso porque era ao vivo, em cores, de graça e além de tudo espargia generosamente um perfume inesquecível. Só faltava cantar! Será que ela naquele momento cantava para mim, mas eu não a ouvia?

Agora que escrevo esta pequena passagem, lembro-me que certa feita um entrevistador, em tom de gracejo, perguntou ao rei Roberto Carlos se ele ainda falava com as plantas. O cantor, sem nenhuma afetação, respondeu que atualmente só as ouve…

Continuei com as caminhadas e todas as vezes passava por ali e cumprimentava minha nova amiga, cujo nome descobri ser Acácia Imperial. Aliás, prometi-lhe compor uma sonata a qual veio a lume em Outubro do ano passado e que se tornou trilha para o vídeo “As Acácias”.

Hoje, dia 22 de Setembro , começa a Primavera de 2018, portanto nada mais oportuno do que ilustrar o blog com o vídeo. Sê bem-vinda Primavera!

É Primavera…

Atapoã Feliz

Hoje eu acordei pensando em Rubem Alves, o poeta que falava com as flores…                           Não é por menos, é dia do Professor e estamos na Primavera!                                                           Assim, em homenagem a todos os professores, trago a belíssima passagem desse grande educador mineiro, ilustrada com vídeo e música que lançamos recentemente, com imagens captadas do Google.

“Os sinais eram inequívocos. Aquelas nuvens baixas, escuras… O vento que soprava desde a véspera, arrancando das árvores folhas amarelas e vermelhas. É, está chegando o inverno. Deveria nevar. Viriam então a tristeza, as árvores peladas, a vida recolhida para funduras mais quentes, os pássaros já ausentes, fugidos para outro clima, e aquele longo sono da natureza, bonito quando cai a primeira nevada, triste com o passar do tempo… Resolvi passear, para dizer adeus às plantas que se preparavam para dormir, e fui, assim, andando, encontrando-as silenciosas e conformadas diante do inevitável, o inverno que se aproximava. E foi então que me espantei ao ver um arbusto estranho. Se fosse um ser humano, certamente o internariam num hospício, pois lhe faltava o senso da realidade, não sabia reconhecer os sinais do tempo. Lá estava ele, ignorando tudo, cheio de botões, alguns deles já abrindo, como se a primavera estivesse chegando. Não resisti e, me aproveitando de que não houvesse ninguém por perto, comecei a conversar com ele. Perguntei se não percebia que o inverno estava chegando, que os seus botões seriam queimados pela neve naquela mesma tarde.
Argumentei sobre a inutilidade daquilo tudo, um gesto tão fraco que não faria diferença alguma. Dentro em breve tudo estaria morto…E ele me falou, naquela linguagem que só as plantas entendem, que o inverno de fora não lhe importava, o seu era um ritmo diferente, o ritmo das estações que havia dentro. Se era inverno do lado de fora, era primavera lá dentro dele, e seus botões eram um testemunho da teimosia da vida que se compraz mesmo em fazer o gesto inútil. As razões para isso? Puro prazer. […]
E me lembrei de uma velha tradição de Natal, ligada à árvore. As famílias levavam arbustos para dentro de suas casas. E ali, neve por todas as partes, elas o faziam florescer, regando-os com água aquecida. Para que não se esquecessem de que, em meio ao inverno, a primavera continua escondida em alguma parte.”

Num Certo Café…

 

Atapoã Feliz

Gosto de sentar-me sozinho à mesa de um Café. Passar despercebido. Um anônimo.

Logo, os primeiros acordes do piano invadem o recinto trazendo um misto de paz e alegria. Já que não posso tomar café, contento-me com o seu aroma. Não sei se estou certo, mas, para mim, o café é mais cheiroso do que gostoso.

Já para Mário Quintana “O café é tão grave, tão exclusivista, tão definitivo que não admite acompanhamento sólido. Mas eu o driblo, saboreando, junto com ele, o cheiro das torradas-na-manteiga que alguém pediu na mesa próxima.”

 Não aprecio aqueles lugares “da moda”, que geralmente estão sempre lotados, onde cada um quer falar mais alto que o outro, gerando, enfim, um abominável vozerio ensurdecedor.

Outra coisa, se você quer impressionar uma garota, aqui vai uma dica, não a leve ao Café “mais badalado” ou “mais luxuoso”, visto que isso não é sinônimo de bom gosto. Sem nenhum laivo de preconceito, li, certa vez, que um rapaz estava apaixonado e levou a moça a um Café muito famoso e caríssimo. Antes do garçom veio o indefectível vendedor de rosa, com aquela frase  manjada: -uma rosa para uma flor… Para encurtar a história do desditoso enamorado, eis que surge resfolegante brutamontes envergando uma bermuda, com chinelo de dedos, para sentar-se justamente à mesa vizinha.

Enfim, para mim, todo Café deve ser romântico, ter charme e uma atmosfera poética…

Com imagens do Google, apresento o vídeo com a trilha feita com o teclado Tyros5 da Yamaha.

Nuvens

Atapoã Feliz

Mas o que dizer das nuvens?

Que as nuvens altas são sempre antecedidas do prefixo “cirro” porque apresentam sempre um aspecto tênue e fibroso? Que as que são capazes de produzir precipitação identificam-se com o termo “nimbo”? Claro que não! Primeiro porque este não é o sítio adequado; segundo porque devemos deixar esse encargo aos entendidos.

O grande poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca, instado a falar sobre composições poéticas, saiu-se com esta: – “Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia. Isso fica para os críticos e professores. Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a poesia.”

O meu amigo Jorge Adelar Finatto, escritor, poeta e fotógrafo de singular sensibilidade, diz que “A observação das aves e das nuvens é uma das atividades que mais me cativam.” (Blog “O Fazedor de Auroras”).
Aliás, Jorge está expondo alguns de seus trabalhos no charmoso Café do Porto (Rua Padre Chagas, 293, bairro Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS). O vernissage foi dia 12 deste mês de janeiro. A exposição vai até o dia 02 de fevereiro do corrente ano. Este blog recomenda.

Ainda sobre nuvens e poetas, Charles Baudelaire disse que “O poeta é como o príncipe das nuvens. As suas asas de gigante não o deixam caminhar.”

As belíssimas imagens das nuvens foram captadas do Google. A pequena trilha musical foi feita ontem, com exclusividade para o blog, com o teclado Tyros5 da Yamaha.
Finalmente, agradecemos ao indefectível pessoal do You Tube.

Panistas de bar

Atapoã Feliz

Todo cinéfilo sabe que o mais famoso pianista de bar não tocava piano. Em Casablanca, Sam (Arthur “Dowley” Wilson) era o pianista do bar do Rick (Humphrey Bogart). Na verdade o piano era apenas uma carcaça com teclas. Enfim, uma caixa vazia. A voz e o som do piano vinham do verdadeiro pianista e compositor Elliot Carpenter localizado atrás da câmera. Nas filmagens, Elliot ficava num lugar onde Wilson podia ver e imitar seus movimentos de mãos.  “Dowley” era excelente ator e foi muito convincente no seu papel.

Assim também é a vida. Os verdadeiros pianistas de bar são heróis anônimos. Estão ali para atender aos pedidos de frequentadores assíduos ou não, que às vezes nem sequer ouvem aquilo que haviam solicitado. Não raro, pacientemente e solícitos, os pianistas procuram dar atenção àqueles fregueses que querem contar o seu infortúnio enquanto pedem as intermináveis “saideiras”. E quando querem ouvir alguma música que não sabem o nome e então procuram cantá-la?  É um horror! Com voz arrastada tentam, sem nenhum sucesso, fazê-la emergir do repertório do profissional.

Aliás, dizem que num bar havia um pianista com um macaco que percorria as mesas depois de cada número para recolher as gorjetas. Certa vez, enquanto o pianista tocava, o macaquinho saltou para cima do balcão e sentou no copo de um freguês. Este, irritado, foi ao pianista e vociferou:- Sabe que seu macaco enfiou a bolsa escrotal dentro do meu martini? Depois de haver esticado o ouvido, o pianista respondeu sem parar de tocar: – Não, mas se você cantarolar um pedacinho talvez eu me lembre! (Pano rápido).

A pequena trilha musical, composta exclusivamente para o blog, foi feita com o auxílio do Teclado Tyros5 da Yamaha. Estilo Jazz.

As imagens são do Google.

Músicos de rua

Atapoã Feliz

Há alguns meses eu estava na Livraria Cultura, galeria da Avenida Paulista onde funcionava o tradicional Cine Astor, quando ouvi o trinado de um clarinete. Saí para ver de onde procedia aquele som não muito agradável, pois se tratava da execução de um desses “ruídos” atuais que invadem sem cerimônia nossos ouvidos.
Aproximei- me. O músico estava sentado num caixote. Tratava-se de um senhor beirando os 50 anos, de cabelos, barba e bigode grisalhos. Terminada aquela execução, pedi-lhe que tocasse “Petite Fleur”, música de 1952, composta pelo clarinetista e saxofonista americano Sidney Brechet (1897 – 1959), quando residiu na França.
Seus olhinhos negros brilharam. Antes de iniciar, sussurrou com ar de cumplicidade: – com muito prazer!
Sua performance foi irrepreensível. Aqueles sons agradabilíssimos remeteram-me a uma época longínqua. Que saudade… A propósito, como disse Samuel Howe, “Quando se houve boa música fica-se com saudade de algo que nunca se teve e nunca se terá.”
Terminada a apresentação, antes que eu o agradecesse, ouvi surpreso: – muito obrigado por pedir essa música…
Para homenagear os artistas ou músicos de rua, cujo epíteto nada tem de depreciativo, fiz o vídeo com imagens captadas do Google. A música “Para não esquecer” foi gravada pela Orquestra de Câmara Arte em Música, em 2007, com os seguintes integrantes: Carmen Sylvia Tomasini Pernambuco Pessini , piano e arranjos; Edgar Piacentini, primeiro violino; Aramís A. Rocha, segundo violino; José Eduardo D’Almeida, viola; Lara Ziggiatti Monteiro, violoncelo; João Carlos Goehring, oboé, e André Cardoso , contrabaixo. Todos amigos de longa data…

O Aniversariante que não foi convidado

Atapoã Feliz

Sei que bem poucos terão o trabalho de acessar este post. Nesta época de festas, Natal e Ano Novo, quase todos estão envolvidos na azáfama de comprar presentes ou adquirir ingredientes para a “ceia”. Alguns, pressurosos, saem desvairadamente em busca de um shopping ainda aberto, quiçá um supermercado, para que possam comprar, de última hora, uma lembrancinha para o “chefe”. Nessa hora até charutaria serve, mesmo que o futuro sortudo não fume!

Já se disse alhures que, paradoxalmente, “Na ceia de Natal o Aniversariante não é convidado”.

O meu filho Emmanuel lembra que viu uma tirinha na qual Jesus indagava a Papai Noel: “Por que você atrapalha o meu aniversário?”. Afora a irreverência, a charge vem bem a propósito.

Há alguns dias, li a belíssima passagem “Neste Natal eu quero…”, de cujo texto sobressai o seguinte excerto:

“Houve um tempo em que me perguntava e hoje repasso a pergunta para ti, meu irmão de fé: – Jesus, o aniversariante, ficaria frustrado ou melindrado com o esquecimento de seu aniversário? Ficaria magoado com a situação?”

“Hoje, voltando os olhos da alma para as lembranças da estrada da vida, vejo o quanto precisei caminhar e em quantas pedras tropecei para entender que Jesus não tem ‘ego’ e por isso ele não fica melindrado pelo esquecimento, nem tampouco alegre com a lembrança. Quem pensa diferente é porque precisa ainda caminhar muito para entender que Jesus pensa em cada um de nós e não nele próprio.” (Irmão Savas – Mentor do Núcleo Espírita Nosso Lar).

Minhas músicas sempre foram utilizadas como trilhas para os vídeos editados neste blog. Mas hoje, por óbvio, trago a belíssima “Noite Feliz”, composição do padre Franz Xaver Gruber .

As imagens foram captadas do Google.

Teclado PSR s910 da Yamaha.