O Resgate de Euterpe

Há muito tempo Euterpe, a musa da música, morava no Monte Parnaso com suas irmãs Calíope, Érato, Clio, Melpômene, Polímnia, Terpsícore, Tália e Urânia, todas lideradas por Apolo, inventor da lira, protetor das artes, deus da harmonia e da inspiração poética. São inenarráveis os episódios de alegria e contentamento das musas, cada uma com a sua atividade:
1 – Calíope, a mais eminente das musas, preside a eloquência e a poesia épica;
2 – Érato cuida da poesia lírica;
3 – Clio, musa da História e inventora da cítara;
4 – Melpômene, a cantora;
5 – Polímnia, inspiradora dos hinos sagrados;
6 – Terpsícore, musa da dança;
7 – Tália, musa da poesia ligeira e da comédia;
8 – Urânia preside a astronomia e as ciências exatas;
9 – Euterpe, musa da música e inventora do aulo e outros instrumentos de sopro.
Aproveitando-se da ausência de Apolo, um bando de marginais invadiu a residência das musas. E aquele lugar, outrora palco de venturosos acontecimentos, transformara-se em horrendo cativeiro. Um dos delinquentes arrebatou a flauta de Euterpe e, curioso, começou a tirar um som degenerado do delicado instrumento musical. Os demais fizeram um círculo em volta do novo “artista”, o que mais o incentivou a tocar desbragadamente naquele sarau improvisado…
Atena, também chamada Palas Atena – similar à Minerva dos romanos-, uma das doze divindades gregas, deusa guerreira e também deusa da Razão e da Sabedoria; protetora das artes e das cidades pressentira o drama sofrido pelas musas e, como um corisco, rasgou a escuridão da noite, materializando-se no meio daquele círculo. Os malfeitores saíram em desabalada carreira e, com os olhos esgazeados, tomaram rumo ignorado…
E tudo voltou ao normal. Nunca mais se ouviu aquele som horrível…

*Concepção do compositor.

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