Arquivo mensais:outubro 2018

O que há por trás da máscara?

 

Atapoã Feliz

Antes de sair de casa, você abre a porta do “depósito de máscaras” e escolhe a do protagonista, que será usada durante todo o dia. No entanto, e na medida das necessidades, numa incrível metamorfose ela se multiplicará em variados coadjuvantes. Eis, em síntese, a tragicomédia da vida humana.
Hoje, para fazer o vídeo, escolhi imagens do Carnaval de Veneza, que existem em profusão no Google, apesar da advertência segundo a qual pode haver direitos autorais, etc. Assim, se alguém se sentir prejudicado, por favor, entre em contato que a imagem será retirada.
Com arranjos do teclado Tyros5 da Yamaha, a música faz parte do CD “O Resgate de Euterpe”, gravado neste ano. Evidentemente foi feita em homenagem a Tália, “a festiva”, musa da poesia ligeira e da comédia, é representada segurando u’a máscara cômica.
Encerro com o pensamento de Oscar Wilde: Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas, por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não tem máscara.

O Resgate de Euterpe

Há muito tempo Euterpe, a musa da música, morava no Monte Parnaso com suas irmãs Calíope, Érato, Clio, Melpômene, Polímnia, Terpsícore, Tália e Urânia, todas lideradas por Apolo, inventor da lira, protetor das artes, deus da harmonia e da inspiração poética. São inenarráveis os episódios de alegria e contentamento das musas, cada uma com a sua atividade:
1 – Calíope, a mais eminente das musas, preside a eloquência e a poesia épica;
2 – Érato cuida da poesia lírica;
3 – Clio, musa da História e inventora da cítara;
4 – Melpômene, a cantora;
5 – Polímnia, inspiradora dos hinos sagrados;
6 – Terpsícore, musa da dança;
7 – Tália, musa da poesia ligeira e da comédia;
8 – Urânia preside a astronomia e as ciências exatas;
9 – Euterpe, musa da música e inventora do aulo e outros instrumentos de sopro.
Aproveitando-se da ausência de Apolo, um bando de marginais invadiu a residência das musas. E aquele lugar, outrora palco de venturosos acontecimentos, transformara-se em horrendo cativeiro. Um dos delinquentes arrebatou a flauta de Euterpe e, curioso, começou a tirar um som degenerado do delicado instrumento musical. Os demais fizeram um círculo em volta do novo “artista”, o que mais o incentivou a tocar desbragadamente naquele sarau improvisado…
Atena, também chamada Palas Atena – similar à Minerva dos romanos-, uma das doze divindades gregas, deusa guerreira e também deusa da Razão e da Sabedoria; protetora das artes e das cidades pressentira o drama sofrido pelas musas e, como um corisco, rasgou a escuridão da noite, materializando-se no meio daquele círculo. Os malfeitores saíram em desabalada carreira e, com os olhos esgazeados, tomaram rumo ignorado…
E tudo voltou ao normal. Nunca mais se ouviu aquele som horrível…

*Concepção do compositor.