Arquivo mensais:janeiro 2016

Num Certo Café…

 

Atapoã Feliz

Gosto de sentar-me sozinho à mesa de um Café. Passar despercebido. Um anônimo.

Logo, os primeiros acordes do piano invadem o recinto trazendo um misto de paz e alegria. Já que não posso tomar café, contento-me com o seu aroma. Não sei se estou certo, mas, para mim, o café é mais cheiroso do que gostoso.

Já para Mário Quintana “O café é tão grave, tão exclusivista, tão definitivo que não admite acompanhamento sólido. Mas eu o driblo, saboreando, junto com ele, o cheiro das torradas-na-manteiga que alguém pediu na mesa próxima.”

 Não aprecio aqueles lugares “da moda”, que geralmente estão sempre lotados, onde cada um quer falar mais alto que o outro, gerando, enfim, um abominável vozerio ensurdecedor.

Outra coisa, se você quer impressionar uma garota, aqui vai uma dica, não a leve ao Café “mais badalado” ou “mais luxuoso”, visto que isso não é sinônimo de bom gosto. Sem nenhum laivo de preconceito, li, certa vez, que um rapaz estava apaixonado e levou a moça a um Café muito famoso e caríssimo. Antes do garçom veio o indefectível vendedor de rosa, com aquela frase  manjada: -uma rosa para uma flor… Para encurtar a história do desditoso enamorado, eis que surge resfolegante brutamontes envergando uma bermuda, com chinelo de dedos, para sentar-se justamente à mesa vizinha.

Enfim, para mim, todo Café deve ser romântico, ter charme e uma atmosfera poética…

Com imagens do Google, apresento o vídeo com a trilha feita com o teclado Tyros5 da Yamaha.

Nuvens

Atapoã Feliz

Mas o que dizer das nuvens?

Que as nuvens altas são sempre antecedidas do prefixo “cirro” porque apresentam sempre um aspecto tênue e fibroso? Que as que são capazes de produzir precipitação identificam-se com o termo “nimbo”? Claro que não! Primeiro porque este não é o sítio adequado; segundo porque devemos deixar esse encargo aos entendidos.

O grande poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca, instado a falar sobre composições poéticas, saiu-se com esta: – “Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia. Isso fica para os críticos e professores. Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a poesia.”

O meu amigo Jorge Adelar Finatto, escritor, poeta e fotógrafo de singular sensibilidade, diz que “A observação das aves e das nuvens é uma das atividades que mais me cativam.” (Blog “O Fazedor de Auroras”).
Aliás, Jorge está expondo alguns de seus trabalhos no charmoso Café do Porto (Rua Padre Chagas, 293, bairro Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS). O vernissage foi dia 12 deste mês de janeiro. A exposição vai até o dia 02 de fevereiro do corrente ano. Este blog recomenda.

Ainda sobre nuvens e poetas, Charles Baudelaire disse que “O poeta é como o príncipe das nuvens. As suas asas de gigante não o deixam caminhar.”

As belíssimas imagens das nuvens foram captadas do Google. A pequena trilha musical foi feita ontem, com exclusividade para o blog, com o teclado Tyros5 da Yamaha.
Finalmente, agradecemos ao indefectível pessoal do You Tube.

Panistas de bar

Atapoã Feliz

Todo cinéfilo sabe que o mais famoso pianista de bar não tocava piano. Em Casablanca, Sam (Arthur “Dowley” Wilson) era o pianista do bar do Rick (Humphrey Bogart). Na verdade o piano era apenas uma carcaça com teclas. Enfim, uma caixa vazia. A voz e o som do piano vinham do verdadeiro pianista e compositor Elliot Carpenter localizado atrás da câmera. Nas filmagens, Elliot ficava num lugar onde Wilson podia ver e imitar seus movimentos de mãos.  “Dowley” era excelente ator e foi muito convincente no seu papel.

Assim também é a vida. Os verdadeiros pianistas de bar são heróis anônimos. Estão ali para atender aos pedidos de frequentadores assíduos ou não, que às vezes nem sequer ouvem aquilo que haviam solicitado. Não raro, pacientemente e solícitos, os pianistas procuram dar atenção àqueles fregueses que querem contar o seu infortúnio enquanto pedem as intermináveis “saideiras”. E quando querem ouvir alguma música que não sabem o nome e então procuram cantá-la?  É um horror! Com voz arrastada tentam, sem nenhum sucesso, fazê-la emergir do repertório do profissional.

Aliás, dizem que num bar havia um pianista com um macaco que percorria as mesas depois de cada número para recolher as gorjetas. Certa vez, enquanto o pianista tocava, o macaquinho saltou para cima do balcão e sentou no copo de um freguês. Este, irritado, foi ao pianista e vociferou:- Sabe que seu macaco enfiou a bolsa escrotal dentro do meu martini? Depois de haver esticado o ouvido, o pianista respondeu sem parar de tocar: – Não, mas se você cantarolar um pedacinho talvez eu me lembre! (Pano rápido).

A pequena trilha musical, composta exclusivamente para o blog, foi feita com o auxílio do Teclado Tyros5 da Yamaha. Estilo Jazz.

As imagens são do Google.