Arquivo diários:29 de dezembro de 2015

Músicos de rua

Atapoã Feliz

Há alguns meses eu estava na Livraria Cultura, galeria da Avenida Paulista onde funcionava o tradicional Cine Astor, quando ouvi o trinado de um clarinete. Saí para ver de onde procedia aquele som não muito agradável, pois se tratava da execução de um desses “ruídos” atuais que invadem sem cerimônia nossos ouvidos.
Aproximei- me. O músico estava sentado num caixote. Tratava-se de um senhor beirando os 50 anos, de cabelos, barba e bigode grisalhos. Terminada aquela execução, pedi-lhe que tocasse “Petite Fleur”, música de 1952, composta pelo clarinetista e saxofonista americano Sidney Brechet (1897 – 1959), quando residiu na França.
Seus olhinhos negros brilharam. Antes de iniciar, sussurrou com ar de cumplicidade: – com muito prazer!
Sua performance foi irrepreensível. Aqueles sons agradabilíssimos remeteram-me a uma época longínqua. Que saudade… A propósito, como disse Samuel Howe, “Quando se houve boa música fica-se com saudade de algo que nunca se teve e nunca se terá.”
Terminada a apresentação, antes que eu o agradecesse, ouvi surpreso: – muito obrigado por pedir essa música…
Para homenagear os artistas ou músicos de rua, cujo epíteto nada tem de depreciativo, fiz o vídeo com imagens captadas do Google. A música “Para não esquecer” foi gravada pela Orquestra de Câmara Arte em Música, em 2007, com os seguintes integrantes: Carmen Sylvia Tomasini Pernambuco Pessini , piano e arranjos; Edgar Piacentini, primeiro violino; Aramís A. Rocha, segundo violino; José Eduardo D’Almeida, viola; Lara Ziggiatti Monteiro, violoncelo; João Carlos Goehring, oboé, e André Cardoso , contrabaixo. Todos amigos de longa data…