Walking in the rain

 

Atapoã Feliz

Sempre quando vejo alguém perambulando na chuva, tenho ímpetos quase que incontidos de perguntar o que ele ou ela está pensando ou por que está caminhando sem rumo justamente no momento daquela precipitação atmosférica.

Porém, jamais fiz essa pergunta.

Hoje, li o belíssimo poema “O corpo doce da chuva” do poeta Jorge Adelar Finatto, editor do blog “O Fazedor de Auroras”, o qual traz cristalinamente a resposta àquela pertinaz indagação:

“a noite passada fiquei ouvindo a chuva no telhado.

desliguei a luz, fechei o livro, afundei na poltrona do escritório, pra ficar só com o som da chuva,

nas telhas, em volta da casa, nas árvores, no verde balde cantante do jardim.

fiz silêncio para ouvir. a voz da chuva.

me levou pra bem longe.

uma chuva como da primeira vez que choveu no mundo.

a chuva que alguém sentiu na pele há 6 mil anos num jardim perdido.

o som da chuva é música ancestral do mundo, a canção principial.

a chuva espalhou-se em mim e me arrastou pra longe do que eu sou, chuva boa de fugir nela.

imemorial e materna, colo pra dormir.

fiz silêncio até me sentir parte da chuva, até me diluir no seu ventre, no seu corpo doce e molhado,

até me esquecer.”

As imagens foram captadas do Google.

Espero que a trilha musical, feita exclusivamente para o blog, seja também “boa de fugir nela”…

8 ideias sobre “Walking in the rain

  1. Julio feliz

    Então mano, o poema é muito bonito, realmente exprime com palavras as sensações que a chuva traz.
    Agora, o sua música, me perdoe, mas não inspira andar na chuva e sim ficar em uma poltrona seca, vendo
    a chuva escorrer pela janela huahauahauahau!
    abraço,

    Responder
    1. Atapoã da Costa Feliz Autor do post

      Realmente, o poema é transcendental.
      Infelizmente não posso responder quanto a sua sensação quando ouviu a música, visto que o seu pensamento foi interrompido por reticências.
      Grande abraço

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  2. Odon Nacasato

    Olá Ata,
    Confesso, que ainda não havia lido nada tão lindo a respeito da chuva, como o poema que acabei de sorver e me inspirar…foi inevitável, mas meus olhos ficaram marejados, frente a tamanha sensibilidade a que meus pensamentos foram conduzidos por sua inspiração, meu amigo.
    Obrigado, recebo esse poema e música como meu presente favorito deste Natal, e desejo muita paz, saúde e que essa fortaleza de inspirações nunca venha a cessar!

    Responder
    1. Atapoã da Costa Feliz Autor do post

      O poeta, Jorge Adelar Finatto, tem vários livros, dentre eles ” O fazedor de auroras “, mesmo nome do blog a que me referi no texto. Vou repassar o teu comentário, Odon.
      Grande abraço.

      Responder
  3. Rogerio Esteves

    Beleza pura! Como muito bem sintetizou o poeta é necessário se deixar levar e fazer parte da chuva, afinal, todos somos um , parte de um grande maecanismo, não é mesmo? Gostei do texto e da música, parabéns!

    Responder

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