Arquivo diários:19 de dezembro de 2015

Walking in the rain

 

Atapoã Feliz

Sempre quando vejo alguém perambulando na chuva, tenho ímpetos quase que incontidos de perguntar o que ele ou ela está pensando ou por que está caminhando sem rumo justamente no momento daquela precipitação atmosférica.

Porém, jamais fiz essa pergunta.

Hoje, li o belíssimo poema “O corpo doce da chuva” do poeta Jorge Adelar Finatto, editor do blog “O Fazedor de Auroras”, o qual traz cristalinamente a resposta àquela pertinaz indagação:

“a noite passada fiquei ouvindo a chuva no telhado.

desliguei a luz, fechei o livro, afundei na poltrona do escritório, pra ficar só com o som da chuva,

nas telhas, em volta da casa, nas árvores, no verde balde cantante do jardim.

fiz silêncio para ouvir. a voz da chuva.

me levou pra bem longe.

uma chuva como da primeira vez que choveu no mundo.

a chuva que alguém sentiu na pele há 6 mil anos num jardim perdido.

o som da chuva é música ancestral do mundo, a canção principial.

a chuva espalhou-se em mim e me arrastou pra longe do que eu sou, chuva boa de fugir nela.

imemorial e materna, colo pra dormir.

fiz silêncio até me sentir parte da chuva, até me diluir no seu ventre, no seu corpo doce e molhado,

até me esquecer.”

As imagens foram captadas do Google.

Espero que a trilha musical, feita exclusivamente para o blog, seja também “boa de fugir nela”…