Arquivo mensais:dezembro 2015

Músicos de rua

Atapoã Feliz

Há alguns meses eu estava na Livraria Cultura, galeria da Avenida Paulista onde funcionava o tradicional Cine Astor, quando ouvi o trinado de um clarinete. Saí para ver de onde procedia aquele som não muito agradável, pois se tratava da execução de um desses “ruídos” atuais que invadem sem cerimônia nossos ouvidos.
Aproximei- me. O músico estava sentado num caixote. Tratava-se de um senhor beirando os 50 anos, de cabelos, barba e bigode grisalhos. Terminada aquela execução, pedi-lhe que tocasse “Petite Fleur”, música de 1952, composta pelo clarinetista e saxofonista americano Sidney Brechet (1897 – 1959), quando residiu na França.
Seus olhinhos negros brilharam. Antes de iniciar, sussurrou com ar de cumplicidade: – com muito prazer!
Sua performance foi irrepreensível. Aqueles sons agradabilíssimos remeteram-me a uma época longínqua. Que saudade… A propósito, como disse Samuel Howe, “Quando se houve boa música fica-se com saudade de algo que nunca se teve e nunca se terá.”
Terminada a apresentação, antes que eu o agradecesse, ouvi surpreso: – muito obrigado por pedir essa música…
Para homenagear os artistas ou músicos de rua, cujo epíteto nada tem de depreciativo, fiz o vídeo com imagens captadas do Google. A música “Para não esquecer” foi gravada pela Orquestra de Câmara Arte em Música, em 2007, com os seguintes integrantes: Carmen Sylvia Tomasini Pernambuco Pessini , piano e arranjos; Edgar Piacentini, primeiro violino; Aramís A. Rocha, segundo violino; José Eduardo D’Almeida, viola; Lara Ziggiatti Monteiro, violoncelo; João Carlos Goehring, oboé, e André Cardoso , contrabaixo. Todos amigos de longa data…

O Aniversariante que não foi convidado

Atapoã Feliz

Sei que bem poucos terão o trabalho de acessar este post. Nesta época de festas, Natal e Ano Novo, quase todos estão envolvidos na azáfama de comprar presentes ou adquirir ingredientes para a “ceia”. Alguns, pressurosos, saem desvairadamente em busca de um shopping ainda aberto, quiçá um supermercado, para que possam comprar, de última hora, uma lembrancinha para o “chefe”. Nessa hora até charutaria serve, mesmo que o futuro sortudo não fume!

Já se disse alhures que, paradoxalmente, “Na ceia de Natal o Aniversariante não é convidado”.

O meu filho Emmanuel lembra que viu uma tirinha na qual Jesus indagava a Papai Noel: “Por que você atrapalha o meu aniversário?”. Afora a irreverência, a charge vem bem a propósito.

Há alguns dias, li a belíssima passagem “Neste Natal eu quero…”, de cujo texto sobressai o seguinte excerto:

“Houve um tempo em que me perguntava e hoje repasso a pergunta para ti, meu irmão de fé: – Jesus, o aniversariante, ficaria frustrado ou melindrado com o esquecimento de seu aniversário? Ficaria magoado com a situação?”

“Hoje, voltando os olhos da alma para as lembranças da estrada da vida, vejo o quanto precisei caminhar e em quantas pedras tropecei para entender que Jesus não tem ‘ego’ e por isso ele não fica melindrado pelo esquecimento, nem tampouco alegre com a lembrança. Quem pensa diferente é porque precisa ainda caminhar muito para entender que Jesus pensa em cada um de nós e não nele próprio.” (Irmão Savas – Mentor do Núcleo Espírita Nosso Lar).

Minhas músicas sempre foram utilizadas como trilhas para os vídeos editados neste blog. Mas hoje, por óbvio, trago a belíssima “Noite Feliz”, composição do padre Franz Xaver Gruber .

As imagens foram captadas do Google.

Teclado PSR s910 da Yamaha.

Walking in the rain

 

Atapoã Feliz

Sempre quando vejo alguém perambulando na chuva, tenho ímpetos quase que incontidos de perguntar o que ele ou ela está pensando ou por que está caminhando sem rumo justamente no momento daquela precipitação atmosférica.

Porém, jamais fiz essa pergunta.

Hoje, li o belíssimo poema “O corpo doce da chuva” do poeta Jorge Adelar Finatto, editor do blog “O Fazedor de Auroras”, o qual traz cristalinamente a resposta àquela pertinaz indagação:

“a noite passada fiquei ouvindo a chuva no telhado.

desliguei a luz, fechei o livro, afundei na poltrona do escritório, pra ficar só com o som da chuva,

nas telhas, em volta da casa, nas árvores, no verde balde cantante do jardim.

fiz silêncio para ouvir. a voz da chuva.

me levou pra bem longe.

uma chuva como da primeira vez que choveu no mundo.

a chuva que alguém sentiu na pele há 6 mil anos num jardim perdido.

o som da chuva é música ancestral do mundo, a canção principial.

a chuva espalhou-se em mim e me arrastou pra longe do que eu sou, chuva boa de fugir nela.

imemorial e materna, colo pra dormir.

fiz silêncio até me sentir parte da chuva, até me diluir no seu ventre, no seu corpo doce e molhado,

até me esquecer.”

As imagens foram captadas do Google.

Espero que a trilha musical, feita exclusivamente para o blog, seja também “boa de fugir nela”…

O Sapateado do Verdão (atualizado)

Atapoã Feliz

Eu não me lembro desde quando sou palmeirense. Parece algo inato.

Segundo consta, “Nenhum clube brasileiro colecionou tantas glórias e ostenta uma história tão vitoriosa quanto o Palmeiras. Tais conquistas, desde estaduais a internacionais, renderam ao Verdão, fundado em 1914, a alcunha de “Campeão do Século 20″, conforme ranking elaborado por órgãos de imprensa e instituições de respeito, como a Federação Paulista de Futebol, o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e a Revista Placar.”

De acordo, ainda, com os arquivos do Departamento de História da Sociedade Esportiva Palmeiras, “Entre as épocas mais vencedoras da equipe estão as duas Academias (uma na década de 60 e outra nos anos 70) e a chamada Era Parmalat (na década de 90). Maior detentor de títulos nacionais (oito Brasileiros, duas Copas do Brasil e uma Copa dos Campeões), o Palmeiras foi também o primeiro campeão mundial interclubes da história do futebol, ao conquistar, em 1951, a Copa Rio, quando, inclusive, completou as Cinco Coroas – cinco troféus seguidos em um período de um ano: duas Taças Cidade de São Paulo, um Paulista, um Rio-São Paulo e a própria Copa Rio.”(www.palmeiras.com.br).

Além disso, jamais haverá, em tempo algum, uma dupla de meio de campo tão célebre quanto Dudu & Ademir da Guia. Dentre seus torcedores mais ilustres destaca-se o ídolo Roberto Carlos.

Como se sabe a razão de ser deste blog é a Música, mas eu não poderia deixar de homenagear o Palmeiras que, após sofrer agruras que não cabe aqui comentar, ressurge soberbo com toda a sua pujança, conquistando este ano de 2015 o tricampeonato da Copa do Brasil, sob a batuta do competente técnico mineiro Marcelo de Oliveira, num jogo dramático e emocionante com o aguerrido Santos Futebol Clube.

Ontem, antes do jogo, assisti “São Marcos”, belíssimo documentário que narra a trajetória do camisa 12 no Verdão e na Seleção Brasileira. Dirigido por Thiago Di Fiore, Adolfo Rosenthal e Fábio Di Fiore, o filme, dentre outras coisas, narra desde a infância do jogador em Oriente (SP), suas primeiras defesas em Lençóis Paulista (SP); o primeiro jogo com a camisa do Palmeiras, em 1992,e a conquista da Libertadores de 1999 e a Copa do Mundo de 2002, com a Seleção Brasileira.

O Palmeiras sempre teve ótimos goleiros, e com o jogo de ontem não tenho nenhuma dúvida que desponta um novo santo: o São Prass. Nessa partida, Fernando Prass teve uma atuação irrepreensível. Considerando que para a final não valeu a regra do gol qualificado, e tendo em vista que no primeiro jogo o Santos venceu por 1 a 0 na Vila Belmiro, e no Allianz Parque o Palmeiras venceu por 2 a 1 (gols de Dudu e Ricardo de Oliveira), a Copa do Brasil foi disputada nos pênaltis. São Prass pegou um pênalti, cobrou outro e converteu. Com isso o Verdão conquistou o tricampeonato!

Por toda essa glória, o Palmeiras hoje é imitado por muitos. A propósito, já se disse que a imitação é uma lisonja qualificada.

Para demonstração de regozijo nada mais indicado do que o sapateado. Segundo os entendidos o sapateado é “uma dança de palco, em que padrões rítmicos são marcados batendo-se no assoalho com os dedos dos pés e os calcanhares, os pés devidamente calçados com sapatos dotados de placas metálicas (ou ‘taps’, daí o nome inglês ‘tap dance’).” (Dicionário Grove de Música, Jorge Zahar Editor).

Com o teclado Yamaha PSR-S910 surgiu “Sapateado do Verdão”, em homenagem ao grande campeão de todos os tempos.
As ilustrações vêm assinadas pelo talentoso artista Alexandre Leoni, que idealizou o periquito sapateando no seu palco predileto: O Allianz Parque.
O vídeo foi editado por Daniella Fernanda.