Lamentos da Terra

 

Atapoã Feliz

 

Sou apenas um compositor de música instrumental, e pelo “caminhar dos gostos musicais”, prestes a sair de cena, mas não poderia deixar de registrar que em vez de discutirmos quem está certo ou errado a respeito do famigerado aquecimento global ou como tudo isso começou ou, ainda, quem é o maior responsável, enfim, com instalações de infindáveis polêmicas, etc.,  deveríamos, isso sim, ter um mínimo de discernimento e perceber que, de fato, a mudança climática, fora da normalidade, é uma realidade, e o que devemos fazer urgentemente para, pelo menos, frear essa coisa nociva.

Conta-se que Buda, em busca da iluminação, descobriu que o homem pode libertar-se da ignorância e do sofrimento utilizando-se de uma filosofia prática que o encoraje a se concentrar nas coisas mais simples e, com isso, atingir metas mais elevadas.

A propósito, no “Majjhima Nikaya”, pode-se encontrar a parábola da flecha envenenada. Buda contou essa história a um discípulo:

“Certa vez, um homem foi ferido por uma flecha envenenada. A família e os amigos queriam chamar um médico, mas o paciente recusou, dizendo que antes queria saber o nome do homem que o havia ferido, a casta a que pertencia e seu lugar de origem. Queria saber se o homem era alto, forte, se era nobre ou um camponês. De que era feito o arco, e se a corda do arco era feita de bambu, cânhamo ou de seda. Ele disse que queria saber se as penas da flecha vieram de um falcão, um abutre ou um pavão…-Antes que extraiam a flecha, quero saber todas essas respostas!- finalizou. O homem morreu sem saber as respostas.”

É por demais conhecido o adágio, segundo o qual, uma jornada de mil léguas começa com o primeiro passo . No caso, o homem deve, primeiramente e com urgência, limitar o uso de combustíveis fósseis como petróleo, carvão e gás, substituindo-os por fontes de energia renováveis e mais limpas. Isso não depende de lei ou do consentimento das autoridades.

Para ilustrar o texto trago o vídeo com a trilha sonora feita exclusivamente para o site www.omapala.mus.br , com os arranjos do teclado Tyros5 da Yamaha. As imagens são da Nasa, Pixabay e Kerstin Langenberger.

Pergunta a ti mesmo

 

Atapoã Feliz

Ao contrário do que muita gente pensa, todas as coisas, inclusive as inanimadas, têm muita serventia. Até uma simples samambaia de plástico serve para ornamentar uma sala.

Forçoso é concluir, então, que não estamos aqui à toa.

Fixado este ponto, pergunta a ti próprio a que vieste.

Indaga que legado de tua autoria ficará para a Humanidade…

Medita, procura descobrir quais são as tuas tendências, aversões e preferências.

Lembra que desenvolver nada mais é do que retirar o envoltório grosseiro, camada por camada, e com elas livrar-te-ás, em definitivo, das imperfeições, até ressurgir, deslumbrante, o verdadeiro Eu.

Anota que todos os bons pensamentos, convertidos em boas ações, farão a retirada das substâncias toscas sobrepostas, tornando cada vez mais leve o fardo que na tua invigilância colocaste no teu alforje.

Antes de criticares uma obra literária, científica ou artística do teu irmão, indaga a ti próprio se já fizeste algo semelhante. Se a resposta for negativa, não tens capacidade para criticar porque tu és inexperto. Se afirmativa, nem pensarás em censurar um trabalho do teu colega.

Observa que, segundo a Sabedoria Antiga, quanto mais desejares o bem ao próximo e menos para ti próprio, mais leve será o fardo e menor o número de vezes de peregrinação que repetes por insondável evo…

Verás que não será nenhum gesto magnânimo de tua parte; apenas estarás recompondo o que tiraste indevidamente.

Percebe que os obstáculos encontradiços aqui e ali já se repetiram por várias oportunidades e ainda não conseguiste transpor; caso contrário, não reapareceriam.

Não percas tempo com as recordações que te aborrecem; também não deixes os maus pensamentos povoarem a tua mente, verdadeiras âncoras que nos impedem de atingir a meta. Substitui por algo agradável. Sempre que ocorrer um mau pensamento, lembra daquela flor orvalhada ou da sombra de uma grande árvore, tantas vezes quantas forem necessárias, até cessarem as investidas do hóspede pernicioso. Dali para frente, a substituição será automática.

Se ainda não escreveste um livro, não plantaste uma árvore, não fizeste uma música, não pintaste uma paisagem, nem tiraste uma foto,

Dá um sorriso!

A estrela que faltava

 

Atapoã Feliz

Segundo os “entendidos”, não há estrelas verdes no firmamento. Outros, mais cautelosos, arriscam a dizer que, mesmo existindo, não a veríamos naquela cor porque estaria emitindo luz em todas as cores possíveis, fato que levaria nossos olhos a optarem pela luz branca, que é a combinação de todas as cores…

Para que pudéssemos enxergar uma estrela verde – concluem os estudiosos – seria necessário que ela refletisse apenas LUZ VERDE!

Ora, então está resolvido! Essa estrela já existe no firmamento desde o dia 29 de novembro de 2012, data em que o célebre palmeirense, também sociólogo e jornalista, Joelmir Beting deixou precocemente este orbe.

Evidentemente, nesse momento em que o Verdão conquista o deca campeonato , não poderia encerrar o ano sem homenagear Joelmir Beting com o vídeo abaixo, registrando, inclusive, a sua célebre frase: EXPLICAR A EMOÇÃO DE SER PALMEIRENSE, A UM PALMEIRENSE, É TOTALMENTE DESNECESSÁRIO. E A QUEM NÃO É PALMEIRENSE…É SIMPLESMENTE IMPOSSÍVEL!

Romero

 

Atapoã Feliz

E aí Romerinho? Se você ainda estivesse aqui completaria hoje 70 anos, visto que nasceu no dia 7 de novembro de 1948. Pesquisei e descobri que aquele dia caíra num domingo! Será que aí reside a causa da sua vivacidade de imaginação para brincadeiras que todos conhecemos?
Ah, meu amigo, você nos pregou uma peça. Privou-nos de chamá-lo de septuagenário! Nos parâmetros de hoje, partiu ainda jovem…

Certa vez, aqui mesmo neste Blog, referindo-se a mim, você fez uma diferença entre velho e idoso:
“Atapoã não faz música: ele cria um som para as coisas e seres. Fez assim com as sequoias, os ipês, o malabarista de rua, o casal invisível de Um Certo Café, os pequeninos de Casa de Sapo, etc. E põe etc. nisto. Seu epíteto deveria ser o Compositor da Natureza (animal, vegetal, mineral).Quem não se lembra de Ametista e outras que tais? Mas, isto seria pouco, pois o limitaria. Deixemos que ele seja o que é: um ser infindo na criatividade, sem peias, amarras, estilo (ele tem todos), sem forma (ser formatado é o que ele menos deveria querer), enfim, o velho (não idoso, pois isto é invenção de cretino para ser atendido prioritariamente em supermercado e depois ficar o resto do dia como um reles rabugento com um controle remoto na mão) Atapoã que nos surpreende sempre com o seu talento. Romero.”

Você, por diversas vezes, escreveu ou falou sobre minhas composições, principalmente aquelas com nomes de plantas: Sequoias, Ipês, Acácias, Lótus, Sândalo etc. Então, em sua homenagem, trago esse vídeo com a trilha sonora “Alfazema”, música que fiz no início da minha jornada de compositor. Os arranjos são do Maestro Orion. A flauta é da Niágara.

O que há por trás da máscara?

 

Atapoã Feliz

Antes de sair de casa, você abre a porta do “depósito de máscaras” e escolhe a do protagonista, que será usada durante todo o dia. No entanto, e na medida das necessidades, numa incrível metamorfose ela se multiplicará em variados coadjuvantes. Eis, em síntese, a tragicomédia da vida humana.
Hoje, para fazer o vídeo, escolhi imagens do Carnaval de Veneza, que existem em profusão no Google, apesar da advertência segundo a qual pode haver direitos autorais, etc. Assim, se alguém se sentir prejudicado, por favor, entre em contato que a imagem será retirada.
Com arranjos do teclado Tyros5 da Yamaha, a música faz parte do CD “O Resgate de Euterpe”, gravado neste ano. Evidentemente foi feita em homenagem a Tália, “a festiva”, musa da poesia ligeira e da comédia, é representada segurando u’a máscara cômica.
Encerro com o pensamento de Oscar Wilde: Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas, por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não tem máscara.

O Resgate de Euterpe

Há muito tempo Euterpe, a musa da música, morava no Monte Parnaso com suas irmãs Calíope, Érato, Clio, Melpômene, Polímnia, Terpsícore, Tália e Urânia, todas lideradas por Apolo, inventor da lira, protetor das artes, deus da harmonia e da inspiração poética. São inenarráveis os episódios de alegria e contentamento das musas, cada uma com a sua atividade:
1 – Calíope, a mais eminente das musas, preside a eloquência e a poesia épica;
2 – Érato cuida da poesia lírica;
3 – Clio, musa da História e inventora da cítara;
4 – Melpômene, a cantora;
5 – Polímnia, inspiradora dos hinos sagrados;
6 – Terpsícore, musa da dança;
7 – Tália, musa da poesia ligeira e da comédia;
8 – Urânia preside a astronomia e as ciências exatas;
9 – Euterpe, musa da música e inventora do aulo e outros instrumentos de sopro.
Aproveitando-se da ausência de Apolo, um bando de marginais invadiu a residência das musas. E aquele lugar, outrora palco de venturosos acontecimentos, transformara-se em horrendo cativeiro. Um dos delinquentes arrebatou a flauta de Euterpe e, curioso, começou a tirar um som degenerado do delicado instrumento musical. Os demais fizeram um círculo em volta do novo “artista”, o que mais o incentivou a tocar desbragadamente naquele sarau improvisado…
Atena, também chamada Palas Atena – similar à Minerva dos romanos-, uma das doze divindades gregas, deusa guerreira e também deusa da Razão e da Sabedoria; protetora das artes e das cidades pressentira o drama sofrido pelas musas e, como um corisco, rasgou a escuridão da noite, materializando-se no meio daquele círculo. Os malfeitores saíram em desabalada carreira e, com os olhos esgazeados, tomaram rumo ignorado…
E tudo voltou ao normal. Nunca mais se ouviu aquele som horrível…

*Concepção do compositor.

Clássico Palestrino

 

Atapoã Feliz

Nesta quarta-feira (26) “Para Tudo!” Como diz o jornalista João Guilherme, apresentador da Fox do Brasil. É que, mais uma vez, se defrontarão Cruzeiro e Palmeiras no decisivo e renhido clás-  sico Palestrino!

Segundo os historiadores, o nome deste clássico tem origem nas antigas equipes homônimas de Società Sportiva Palestra Italia (de Minas Gerais) e Società Sportiva Palestra Italia (de São Paulo), ou seja, Cruzeiro Esporte Clube e Sociedade Esportiva Palmeiras, respectivamente.

Como se sabe, para classificar-se, o Palmeiras necessita de uma diferença de 2 gols no placar. Ou então, de um gol a mais para disputar nos pênaltis. Segundo, ainda, a enciclopédia ambu-    lante PVC  a vitória do Palmeiras por 4 a 2 na primeira partida da história do confronto entre      as duas equipes, disputada no Estádio do Barro Preto em 18 de maio de 1930, valeu a con –        quista do Troféu Lineu Prestes.

Para ilustrar, seguem abaixo as animações das mascotes com as músicas Foxtrot do Cruzeiro  e Sapateado do Verdão.

 

Doce Primavera

 Atapoã Feliz

Na primavera do ano passado resolvi fazer uma caminhada. De repente, a brisa morna que batia no meu rosto trouxe aquele perfume suave e agradabilíssimo. Olhei em todas as direções tentando encontrar a fonte daquela fragrância inspiradora. Um pouco mais adiante, acerquei-me de uma pequena árvore carregada de cachos dourados. Que quadro maravilhoso! Isso porque era ao vivo, em cores, de graça e além de tudo espargia generosamente um perfume inesquecível. Só faltava cantar! Será que ela naquele momento cantava para mim, mas eu não a ouvia?

Agora que escrevo esta pequena passagem, lembro-me que certa feita um entrevistador, em tom de gracejo, perguntou ao rei Roberto Carlos se ele ainda falava com as plantas. O cantor, sem nenhuma afetação, respondeu que atualmente só as ouve…

Continuei com as caminhadas e todas as vezes passava por ali e cumprimentava minha nova amiga, cujo nome descobri ser Acácia Imperial. Aliás, prometi-lhe compor uma sonata a qual veio a lume em Outubro do ano passado e que se tornou trilha para o vídeo “As Acácias”.

Hoje, dia 22 de Setembro , começa a Primavera de 2018, portanto nada mais oportuno do que ilustrar o blog com o vídeo. Sê bem-vinda Primavera!

É Primavera…

Atapoã Feliz

Hoje eu acordei pensando em Rubem Alves, o poeta que falava com as flores…                           Não é por menos, é dia do Professor e estamos na Primavera!                                                           Assim, em homenagem a todos os professores, trago a belíssima passagem desse grande educador mineiro, ilustrada com vídeo e música que lançamos recentemente, com imagens captadas do Google.

“Os sinais eram inequívocos. Aquelas nuvens baixas, escuras… O vento que soprava desde a véspera, arrancando das árvores folhas amarelas e vermelhas. É, está chegando o inverno. Deveria nevar. Viriam então a tristeza, as árvores peladas, a vida recolhida para funduras mais quentes, os pássaros já ausentes, fugidos para outro clima, e aquele longo sono da natureza, bonito quando cai a primeira nevada, triste com o passar do tempo… Resolvi passear, para dizer adeus às plantas que se preparavam para dormir, e fui, assim, andando, encontrando-as silenciosas e conformadas diante do inevitável, o inverno que se aproximava. E foi então que me espantei ao ver um arbusto estranho. Se fosse um ser humano, certamente o internariam num hospício, pois lhe faltava o senso da realidade, não sabia reconhecer os sinais do tempo. Lá estava ele, ignorando tudo, cheio de botões, alguns deles já abrindo, como se a primavera estivesse chegando. Não resisti e, me aproveitando de que não houvesse ninguém por perto, comecei a conversar com ele. Perguntei se não percebia que o inverno estava chegando, que os seus botões seriam queimados pela neve naquela mesma tarde.
Argumentei sobre a inutilidade daquilo tudo, um gesto tão fraco que não faria diferença alguma. Dentro em breve tudo estaria morto…E ele me falou, naquela linguagem que só as plantas entendem, que o inverno de fora não lhe importava, o seu era um ritmo diferente, o ritmo das estações que havia dentro. Se era inverno do lado de fora, era primavera lá dentro dele, e seus botões eram um testemunho da teimosia da vida que se compraz mesmo em fazer o gesto inútil. As razões para isso? Puro prazer. […]
E me lembrei de uma velha tradição de Natal, ligada à árvore. As famílias levavam arbustos para dentro de suas casas. E ali, neve por todas as partes, elas o faziam florescer, regando-os com água aquecida. Para que não se esquecessem de que, em meio ao inverno, a primavera continua escondida em alguma parte.”

Num Certo Café…

 

Atapoã Feliz

Gosto de sentar-me sozinho à mesa de um Café. Passar despercebido. Um anônimo.

Logo, os primeiros acordes do piano invadem o recinto trazendo um misto de paz e alegria. Já que não posso tomar café, contento-me com o seu aroma. Não sei se estou certo, mas, para mim, o café é mais cheiroso do que gostoso.

Já para Mário Quintana “O café é tão grave, tão exclusivista, tão definitivo que não admite acompanhamento sólido. Mas eu o driblo, saboreando, junto com ele, o cheiro das torradas-na-manteiga que alguém pediu na mesa próxima.”

 Não aprecio aqueles lugares “da moda”, que geralmente estão sempre lotados, onde cada um quer falar mais alto que o outro, gerando, enfim, um abominável vozerio ensurdecedor.

Outra coisa, se você quer impressionar uma garota, aqui vai uma dica, não a leve ao Café “mais badalado” ou “mais luxuoso”, visto que isso não é sinônimo de bom gosto. Sem nenhum laivo de preconceito, li, certa vez, que um rapaz estava apaixonado e levou a moça a um Café muito famoso e caríssimo. Antes do garçom veio o indefectível vendedor de rosa, com aquela frase  manjada: -uma rosa para uma flor… Para encurtar a história do desditoso enamorado, eis que surge resfolegante brutamontes envergando uma bermuda, com chinelo de dedos, para sentar-se justamente à mesa vizinha.

Enfim, para mim, todo Café deve ser romântico, ter charme e uma atmosfera poética…

Com imagens do Google, apresento o vídeo com a trilha feita com o teclado Tyros5 da Yamaha.